Entrevista
Presidente da PortosRS diz que ideia é tornar a empresa uma referência no Cone Sul
Cristiano Klinger fala sobre as perspectivas para o setor e o potencial de crescimento das unidades de Pelotas e Rio Grande
Foto: Divulgação - PortosRS - Klinger preside a empresa pública há um ano, desde sua reformulação
Formado em Administração com ênfase em Marketing em 2006 pela Universidade Católica de Pelotas e com carreira em empresas da cidade, Cristiano Klinger é, há um ano, presidente da PortosRS, desde a reformulação que transformou a administração portuária gaúcha em uma empresa pública, deixando de ser autarquia. O sistema conta com três portos, sendo dois na região: Pelotas e Rio Grande, além da unidade de Porto Alegre. São também sete terminais privados e 22 arrendados e 754 quilômetros de vias navegáveis. No primeiro quadrimestre de 2023, os portos gaúchos tiveram crescimento de movimentação em 5,48%, impulsionados principalmente pela unidade riograndina, com 6,03% de variação positiva. Klinger conversou com o DP sobre o cenário atual e perspectivas futuras da área na região:
Os portos do Rio Grande do Sul vêm numa longa crescente de recordes em vários setores e os anos de baixa são afetados pela estiagem que traz quebra à safra de grãos. A que podemos atribuir esse momento que o setor vive?
A nossa movimentação está muito fundamentada na questão da produção agrícola do Estado. O Estado vem crescendo, o produtor rural vem investindo em tecnologia, vem crescendo sua produção e consequentemente a gente tem mais produtos e consegue fazer uma exportação maior. Além disso, agora volta uma retomada também na movimentação de contêineres, que é o segundo carro-chefe, que tem uma movimentação importante e com a pandemia tinha dado uma retração e agora vem voltando, a movimentação vem retomando todo esse movimento. Então, quando a gente olha para esse resultado dos portos do nosso Estado, a gente olha muito a produção que vem acontecendo e a movimentação da economia. Como a economia do Estado vai se fortalecendo, vai fortalecendo também a movimentação via portos.
A PortosRS passou por uma mudança recente, se tornou uma empresa pública. Qual o motivo dessa mudança e que impacto isso trouxe e ainda vai trazer?
Em maio faz um ano dessa transformação. Antes, a autoridade portuária dentro do Estado era executada através de uma autarquia e, desde então, virou uma empresa pública. Essa mudança nos traz uma autonomia para que a gente consiga, de fato, executar e efetivar os investimentos necessários, o que traz uma maior competitividade para o complexo como um todo. Então, a partir da mudança, nós já conseguimos fazer diversos investimentos que anteriormente eram represados e não eram executados.
A transformação nos permite, olhando como uma empresa, a direcionar os recursos e fazer todos os investimentos necessários para que a gente consiga ganhar competitividade e, consequentemente, ter qualidade de operação, diminuir custo, aumentando a competitividade do nosso Estado em relação aos outros portos e, aí, conforme nossa estratégia como empresa, ser esse hub no Cone Sul. Então, quando a gente fala de logística portuária, a nossa proposição é se tornar referência no Cone Sul e, esse direcionamento dos investimentos, nos proporciona ir nessa direção.
A retomada do Polo Naval é um tema constante no governo Lula. Como a PortosRS tem feito esse contato com a nova gestão federal?
Nós já fizemos tanto reunião com deputados que tratam bastante da pauta, bem como o próprio ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, tratando sobre o complexo portuário de Rio Grande, apresentando tudo para ele e pensando nessa pauta, em como o governo federal vai passar a olhar as políticas públicas voltadas à questão dos portos, bem como apresentando tudo o que a gente tem e nossa estratégia. Nossa atenção e olhar para as políticas voltadas ao desenvolvimento do Polo Naval é importante, porque isso trata diretamente também de um aumento de movimentação e produção, visto que a gente tem essa capacidade de poder atrair grandes contratos.
Recentemente foram fechadas parcerias, como com o Porto de Aveiro e o Porto de Roterdã. Qual a importância dessas parcerias com portos estratégicos de fora do País?
Quando a gente olha, na nossa estratégia, como negócio, de se tornar esse hub, a gente fala da internacionalização do porto. Esses acordos firmados estão justamente para a gente conseguir estar apresentando e demonstrando toda a nossa capacidade e potencial como complexo e como porto, como Estado, bem como aproveitar todo o ganho do que eles já fizeram e aprofundar as relações comerciais.
Portos sempre foram local de logística, mas agora se olha também como um espaço de geração energética. Em que passo está Rio Grande dentro deste contexto?
Na costa do nosso Estado temos 21 projetos de eólica offshore em licenciamento no Ibama. Obviamente, para a instalação destes parques vamos precisar de uma estrutura portuária para poder receber os equipamentos, produzir os que precisam e voltar com tudo isso para montá-los. Depois disso, há uma prestação de serviço continuado, de uma manutenção e tudo mais. Quando a gente fala de eólica onshore, temos no Estado 60 projetos, que também precisam de estrutura e infraestrutura. Logisticamente falando, a gente ter um porto com capacidade de área e infraestrutura para receber todos os equipamentos e fazer toda a movimentação é fundamental, bem como a relação com distritos industriais próximos à água também é importante para que a gente consiga atrair novas indústrias para fazer essa instalação dessa nova indústria toda.
O Porto de Pelotas vem retomando sua relevância. O que se pode esperar para Pelotas dentro da questão portuária?
Quando os investidores fazem a análise logística para definir os seus negócios, hoje Pelotas está muito bem posicionada e fazendo toda sua movimentação dentro da cadeia da madeira e da celulose. Então, é um porto hoje que trabalha muito forte com a questão da madeira. Aqui em Pelotas temos três áreas disponíveis dentro de um edital de aviso de áreas disponíveis, com empresas interessadas. Tem empresa que já manifestou interesse, mas tem todo um trâmite de estudo. De fato, acreditamos no potencial das hidrovias como ferramenta de desenvolvimento, então todo esse movimento, mapeamento das áreas e disponibilidade delas é para fazer essa movimentação.
Se fala muito no fortalecimento da hidrovia com o Uruguai, via Lagoa Mirim. Também há a questão do Cone Sul. Como os países da região enxergam os portos gaúchos?
A gente tem relação direta com a Argentina, também uma movimentação muito forte com o Uruguai. O embaixador do Uruguai falou que o porto de águas profundas do Uruguai é o de Rio Grande. Isso demonstra a relação direta que a gente tem, na região como um todo, e a infraestrutura é o grande diferencial. Quando a gente fala da hidrovia binacional, sendo implementada, ela irá atrair novas cargas a serem movimentadas pela hidrovia. Então, ela acontecendo, vai ser mais um alavancador de movimentação para nossos portos.
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